terça-feira, setembro 20, 2011

Eu Dissemino os Meus Desafetos

No final do dia apagado,após uma insistente procura por algo concreto dentro de mim,algo que nunca se constroe,conceitos que nunca se fecham,uma coisa ficou clara ou não tão obscura.
Descobri que para mim,nem tanto o céu nem tanto a terra.Que haja amor!ternura,intimidade,afeto.Mas que ódio se faz necessário,a frieza,distância e o desafeto.
Quem foi que disse que nós fomos feitos de carinho?
Muito pelo contrário,carinho é um negócio que deve ser tratado como pérolas,e definitivamente pérolas não devem ser dadas aos porcos.Nós sabemos que no fundo,retemos com nervos de aço toda fúria que nos surge diante de um olhar de reprovação ou descaso,apenas para assegurar a efêmera doçura que ocasionalmente venha surgir da mão amiga.
Abrimos mão de nossos impulsos mais primários,pelo simples ou complexo fato de que eventualmente reconheçamos algo positivo nosso na face desse ser indispensável que é o outro.E por isso mesmo,acho justo,acho digno,acho certo de minha parte(E se me acho,é certamente porque não estou perdido).
Eu dissemino os meus desafetos!Trato-os muito bem,sempre muito cuidado,um cuidado atencioso.Gasto parte do meu tempo e as vezes reservo todo ele para a dúvida,para o porquê.Por que desafetos?por quê?Por que tanto cuidado?
Quando vejo um desafeto é como se colocasse um espelho em frente a minha face.Vejo o que eu sou.Vejo tudo de negativo que nele há e que não há em mim,tudo o que há nele e que hpa em mim,tudo que em mim há e que não há nele.Formamos um paralelo,espelhos que transmitem a humanidade existente em mim e consequentemente nele.
Mas se tratando de nós mesmos,nada é muito sim e nada é muito não.O procedimento também ocorre em relação aos afetos,na maioria das vezes nós amamos quem amamos simplesmente pelo que hpa neste outro e que não há em nós.Vivemos se mostrando,se abrindo por todos os cantos,se solidarizando,e projetando nossos desejos nas vidas dos outros.
E se é para irmos fundo,é bom que tiremos os tapetes.Porque no chão de cimento(que nunca é solido)todo afeto é um desafeto e todo desafeto é um afeto.Infelizes somos pois nunca conseguimos nada por completo.

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