sexta-feira, setembro 30, 2011

Universo Musical ( Fotografias)




O ambiente está cheio,barulhento,incomodo,muito incomodo.




Pessoas falando sem para.Disparando palavras sem sentido e sem propósito algum,e eu aqui.E eu brilhando.




Todo mundo se fecha,seja em seus grupos,seja na sua solidão.




A moça olha pela janela;será que sonha?será que sofre?será que sente?Quando interrogada ela sorri e acena.Será que deseja sumir?Acho que deseja algo mais.Assim como todos os nós.




Dentro desse quadrado fechado,me encontro bem no meio,as grandes possibilidades dançam ao meu redor.E eu quando interrogado,sorriu e aceno.




A vida é cheia de fotografias,as pessoas é que não percebem,elas não notam nada.Mas para algumas as fotos brilham e se fazem perceber,essas pessoas são as privilegiadas.As fotos ... me perseguem e muitas vezes sem saber vou aceitando e colecionando.




O que faz de um simples caminhar,de uma parede,de um chão,uma fotografia?Quase sempre a luz e o universo musical.




A música é tão bela,sublime.tão livre,ela dá tons para cada momento.Com música vivemos tudo bem vivido.








Ao sair do quarto sufocante em direção a água,fui passando por um nada,como num deserto,era areia,todas as paredes eram a areia.O chão era objetivo,era todo preto no branco,todo quadrado.Haviam dois pontos de luz,a fresta do dia pela janela e eu,que brilhava,tudo brilhava em mim.




A escuridão mesclava-se com a luz,assim da mesma maneira que acontece dentro da gente.Era vida,montando mais uma vez seus espetáculos cinematográficos,suas fotografias,e não foi em vão,ali havia um espectador a observar.A arte da vida sempre alcança seu publico,mesmo que ele seja formado por apenas um bom rapaz,a vida é uni presente.




Dentro daquele universo,outra coisa me tocava:A música,a beleza das notas,dos tons,dos instrumentos que transformavam aquele momento em algo particular,só meu,todo meu,tudo meu.




É deslumbrante o quanto a música pode transformar os universos,ou melhor um universo único,onde o detalhe possui mais valor que o todo.Universo único onde a gente se esquece do todo sem se lembrar que esqueceu e apenas sorri,apenas chora,apenas os dois.Ali o feio não existe.

quarta-feira, setembro 21, 2011

Quando viro meus olhos para dentro,istantaneamente um mundo gira e um outro para.
Esse que gira é bem colorido,bem mais vivido,pois há vida.Há o calor dos corpos,o sorriso fraterno,gentileza,apreço,carinho.Esse que para é o mundo constante,do qual eu faço parte,no qual as coisas existem por concreto.Esse é mesmo todo feito de pedra,sorriso de pedra,cumprimento de pedra,desejo de pedra,sentimento de pedra é petrificado.
No que gira,as lágrimas correm soltas em forma de poema,há o cuidado,o importar-se,o esquecer-se de si para lembrar de outro.Todos somos filhos de todos.
No de pedra tudo passa,passa... Passa diante de nossos olhos.Tudo nos escapa,nada,enfim,é nosso.Enquanto que naquele que gira no decorrer de algo sublime ele para,estouram-se os fogos de artifício,o olho fotografa e o corpo escreve cada detalhe.
Pedras,caminhamos por entre pedras,uma vez ou outra por cima de córregos de dor.Tudo é sujo,a linguagem é suja mal se vê.O que é sublime passa,escorrega.As pedras riscam nossa face,desenham em nossa face: lábios para baixo,sobrancelhas comprimidas e caídas,corpo mole,pensamento que não se prende e raramente em momentos de distração,faiscas que nos despertam,nos provocam para algo novo.
Já no momento em que me encontro no mundo giratório,meus olhos brilham,meu coração arde,é o império dos sentidos,é o silêncio,é o som,o gosto,o desvendar, o não mistério,o explicito.E meu coração arde,arde boquiaberto.
Ah,Platão que sempre esteve certo,existem sim um outro lugar que não é aqui.O aqui é uma sombra,o aqui é um espectro,no fundo nada.
Esse lá é que é verdadeiro,que é completo,que é original.Onde predomina o império do bem em uma hierarquia de valores justos.Esse lá me encanta e sempre que posso viajo para lá,para lá,lá e me perco,e passo a vagar,completo,e passo a fazer poema,de pura grandeza.E lá,por fim,é o perfeito,onde até o desastre é justo,proposital,um conector.
E o que falar de mim?Posso falar que meus ossos,órgãos,veias,são como celas para algo que reside em algum lugar dentro de mim,onde não se pode chegar,não há mapa,na verdade não há nem o caminho.Algo que me conecta a esse mundo giratório.E talvez,um dia,quando essa coisa se soltar,de vez,eternamente,eu vá para lá,lá,lá... Onde tudo é arte.LÁ.

terça-feira, setembro 20, 2011

Eu Dissemino os Meus Desafetos

No final do dia apagado,após uma insistente procura por algo concreto dentro de mim,algo que nunca se constroe,conceitos que nunca se fecham,uma coisa ficou clara ou não tão obscura.
Descobri que para mim,nem tanto o céu nem tanto a terra.Que haja amor!ternura,intimidade,afeto.Mas que ódio se faz necessário,a frieza,distância e o desafeto.
Quem foi que disse que nós fomos feitos de carinho?
Muito pelo contrário,carinho é um negócio que deve ser tratado como pérolas,e definitivamente pérolas não devem ser dadas aos porcos.Nós sabemos que no fundo,retemos com nervos de aço toda fúria que nos surge diante de um olhar de reprovação ou descaso,apenas para assegurar a efêmera doçura que ocasionalmente venha surgir da mão amiga.
Abrimos mão de nossos impulsos mais primários,pelo simples ou complexo fato de que eventualmente reconheçamos algo positivo nosso na face desse ser indispensável que é o outro.E por isso mesmo,acho justo,acho digno,acho certo de minha parte(E se me acho,é certamente porque não estou perdido).
Eu dissemino os meus desafetos!Trato-os muito bem,sempre muito cuidado,um cuidado atencioso.Gasto parte do meu tempo e as vezes reservo todo ele para a dúvida,para o porquê.Por que desafetos?por quê?Por que tanto cuidado?
Quando vejo um desafeto é como se colocasse um espelho em frente a minha face.Vejo o que eu sou.Vejo tudo de negativo que nele há e que não há em mim,tudo o que há nele e que hpa em mim,tudo que em mim há e que não há nele.Formamos um paralelo,espelhos que transmitem a humanidade existente em mim e consequentemente nele.
Mas se tratando de nós mesmos,nada é muito sim e nada é muito não.O procedimento também ocorre em relação aos afetos,na maioria das vezes nós amamos quem amamos simplesmente pelo que hpa neste outro e que não há em nós.Vivemos se mostrando,se abrindo por todos os cantos,se solidarizando,e projetando nossos desejos nas vidas dos outros.
E se é para irmos fundo,é bom que tiremos os tapetes.Porque no chão de cimento(que nunca é solido)todo afeto é um desafeto e todo desafeto é um afeto.Infelizes somos pois nunca conseguimos nada por completo.